Mulheres na Tecnologia

Mulheres brilhantes que mudaram (e mudam) o mundo e a história da tecnologia

Ada Lovelace

Ada Augusta Byron King, condessa de Lovelace, batizada em 10 de dezembro de 1815, mais tarde conhecida simplesmente como Ada Lovelace, foi uma matemática e escritora inglesa. Foi considerada como a primeira pessoa capaz de casar as capacidades matemáticas de máquinas computacionais com as diversas possibilidades poéticas da lógica simbólica aplicada à imaginação, portanto, descrevendo-a como uma cientista poética. Mas essa combinação um pouco inusitada e o amor pela matemática surgiram quando ela era ainda muito pequena. Filha de Anne Isabella Milbanke, jovem rica, reservada e matematicamente dotada (também conhecida como a “Princesa dos Paralelogramos”); e do poeta romântico Lord Byron, um também escandaloso playboy. Por tamanha excentricidade que também garantiu seu posto como um fabuloso poeta, Anne Isabella deixou Lord Byron após o nascimento de Ada. E assim, criou a menina empenhada em tentar erradicar qualquer possível vestígio da influência de seu pai, de modo que Ada começou a conhecer acerca de ciência e matemática a partir dos quatro anos de idade. Ada conheceu Charles Babbage quando tinha 17 anos, durante uma apresentação da Máquina Diferencial. De início não trabalharam juntos, mas em 1842, após a publicação de um periódico suíço sobre a mais recente ideia de Babbage - a Máquina Analítica, Lady Lovelace vislumbrou a chance de impressioná-lo. Primeiramente, traduziu o artigo de francês para inglês, mas também acrescentando suas notas pessoais, deixando-o com o dobro do tamanho e o publicou em 1843. Tais escritos puderam mostrar que ela teve total compreensão dos princípios essenciais a um computador programado, e isso, um século antes dos próprios computadores serem criados. Isso acabou chamando a atenção de Charles Babbage e finalmente, começou-se a colaboração entre eles. Em suas notas, Ada escreveu sequências de instruções e assim, elaborou um esboço do que chamamos agora de algoritmo. Desta forma, projetou um modo de programar a Máquina Analítica, usando cartões perfurados com uma sequência gradativa de números racionais (Números de Bernoulli), sendo este reconhecido como o primeiro programa de computador e ela, a primeira pessoa programadora da história. Tristemente, Ada morreu de câncer de útero em 1852, quando tinha 36 anos, a mesma idade que seu pai, Lord Byron, faleceu.

Joan Clarke

Durante a Segunda Guerra, renomados cientistas e matemáticos reuniram-se em um grupo especial em Bletchley Park, com o intuito de quebrar a codificação alemã. Há cerca de 80 quilômetros ao noroeste de Londres funcionava a desconhecida Government Code and Cypher School (GCCS), uma divisão especializada em decodificação. Era a equipe que contemplava o famoso Alan Turing, onde construíram uma máquina eletromecânica que pudesse decodificar o alfabeto da ENIGMA germânica, surgindo então a “Bomba Criptológica”. Na equipe trabalharam nomes como Thomas Flowers, Bill Tutte e Max Newman. Além disso, havia uma pessoa que merecesse igual honraria frente sua contribuição: Joan Clarke - a grande mulher ao lado de Alan Turing. Nascida em 24 de junho de 1917 (Londres, Inglaterra), Joan foi a única mulher que chegou a trabalhar no projeto secreto de decodificação da ENIGMA. Extremamente inteligente, estudou em Cambridge, embora tenha sido impedida de receber um diploma completo (negado às mulheres até 1948). Ao chegar em Bletchley Park, alocaram-na em um grupo só de mulheres para trabalho de escritório, já que “criptologia não era considerado um trabalho feminino”. Infelizmente, seu empenho acadêmico e dedicação a matemática não a impediam também de fazer parte do universo da disparidade salarial: 2 libras a menos por semana. Apesar de todo o sexismo na época, Joan Clarke mostrou seus talentos e subiu de cargo, até o Departamento Hut 8, onde Turing e colegas trabalhavam. Joan e Alan se tornaram muito próximos, ela ganhou uma mesa ao seu lado e suas mentes puderam brilhar juntas em prol da criptologia. Eles inclusive chegaram brevemente a ser noivos. Com toda sua estimada contribuição, contudo, a total extensão das conquistas de Clarke continua ainda muito desconhecida, dado ao sigilo de tudo que ocorreu no GCCS.

Hedy Lamarr

Hedwig Eva Maria Kiesler, considerada nos anos dourados de Hollywood como “a garota mais bonita do século”, nasceu em 9 de novembro de 1914, em Viena, Áustria. Filha de um banqueiro austríaco e de mãe húngara, recebeu uma boa educação. Seu interesse científico já surgiu quando pequena, quando acompanhava o pai em longas caminhadas. Chegou a ingressar no curso de Engenharia, mas seu primeiro marido a impediu de continuar. Amante da atuação, protagonizou o primeiro orgasmo feminino nas telas de cinema e graças a um ciúme excessivo do esposo, fugiu para Paris e mais tarde, Londres. Assim, conheceu um famoso produtor de cinema - Louis Mayer, indo ao cinema americano em 1938. Mesmo como atriz, nunca deixou esvair seu lado inventor e durante a 2ª guerra mundial, decidiu que iria ajudar de algum modo. Acabou conhecendo o compositor e pianista George Antheil, com quem coinventou a tecnologia para usar espalhamento espectral por salto de frequência (FHSS). Uma mulher poderosa, de beleza estonteante, excelente matemática e cientista, além de atitude invejável, mostrou mais uma vez que as mulheres podiam ser tudo que quiserem. Assim, a “diva cientista” (como é lembrada) criou o que se tornou o precursor do Wi-Fi e bluetooth. A versão inicial consistia na troca de 88 frequências (o número de teclas do piano), impedindo a interceptação do torpedos dirigidos por rádio. Mas foi incompreendida na época e o invento engavetado pelos militares. Contudo, na década de 60, foi usado em larga escala, mas ela nem ao menos foi reconhecida/remunerada pela criação. Felizmente hoje podemos reconhecê-la e lembrá-la todos os dias e horas: Hedy está presente em nossos smartphones, dispositivos GPS, Wi-Fi, bluetooth e sistemas celulares GSM, CDMA, bem como até mesmo no 3G.

Betty Holberton

Frances Elizabeth Holberton, ou somente "Betty" foi uma das seis programadoras do ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer). Nasceu na Filadélfia com o sobrenome Snyder, no dia 07 de março de 1917. Muito ouve-se falar do ENIAC, um dos marcos da primeira geração de computadores, contudo, pouco se conhece delAs. Isso mesmo, grandes pioneiras da computação que atuaram nessa bela máquina. Sua história esteve relacionada a missões militares, calculando trajetórias de mísseis. Para tanto, contratou-se pessoas formadas em matemática para trabalhar com as equações diferenciais responsáveis pela rota dos mísseis e já que os homens tinham funções de guerra, “sobravam” apenas as mulheres para esse trabalho - as computadoras. Tal função era de alta estima, porém o conjunto de 80 mulheres realizava todas essas milhares de contas manualmente, chegando a durar cada cálculo 30 horas. Deste modo, em segredo de guerra, financiou-se o projeto do ENIAC (1946) com o propósito de que fosse capaz de computar as equações em uma fração do tempo que as garotas gastavam. Liderado por dois engenheiros de hardware, que decidiram escolher seis das computadoras para descobrir o funcionamento e programação do ENIAC, um trabalho referenciado como inferior ao da construção. As selecionadas foram: Frances Bilas, Jean Jennings, Ruth Lichterman, Kathleen McNulty, Marlyn Wescoff e claro, Betty Snyder. Essas mulheres foram responsáveis por trabalhar no (quase) primeiro computador totalmente eletrônico e programável. O famoso monstro tinha 17468 válvulas, 1500 relês, 70 mil resistores, 10 mil capacitores, além de 30 toneladas, ocupando um andar completo da Universidade da Pensilvânia. Um tanto quanto assombroso, mas não mais do que as mulheres conheciam dele: a única informação era os diagramas lógicos dos 40 painéis do computador. Nada de linhas de códigos, mas sim plugar e desplugar cabos e fios em uma sequência nunca antes vista e claro, elas conseguiram. Contudo, o esplendor das ações das computadoras não foi relatado por 50 anos, até que uma estudante de Harvard questionou-se sobre a presença das mulheres na computação e acabou descobrindo a fabulosa história das garotas do ENIAC. Betty, posteriormente, também ajudou no desenvolvimento do UNIVAC, escreveu o primeiro programa com base no algoritmo de ordenação Merge Sort, desenvolveu instruções para o BINAC, além de ter participado da criação dos padrões das linguagens COBOl e FORTRAN.

Grace Hopper

Grace Murray Hopper, nasceu em Nova York no ano de 1906 e enfrentou consigo uma dura realidade político/social. Nos Estados Unidos, negros só adquiriram direito ao voto em 1870, mas as mulheres apenas em 1920. Quando criança, amava desmontar relógios apenas para ver como funcionavam, tornando-se no futuro almirante da marinha e cientista da computação. Alistou-se no WAVES (Women Accepted for Volunteer Emergency Service). Lá, a marinha acabou a enviando para o projeto de computação de Harvard, para que pudesse programar um dos primeiros computadores eletrônicos já existentes. Mais uma vez Grace brilhou. Diz-se que quando viu o MARK I, com todos seus pomposos 15 metros de largura, pensou consigo que era o equipamento mais bonito que ela já tinha visto. Uma vez, já no projeto MARK II (1947), descobriu o motivo do computador ter travado. Imaginem só: uma mariposa estava presa em um dos relês. E assim, cunhou pela primeira vez o termo “debugging” - o ato de remover o “bug”. Lembre-se dela toda vez que falar que seu programa “deu bug” ein?! Também foi a criadora dos compiladores, e fez especificações e padrões para a COBOL. Extremamente ativa, não parou nem com a aposentadoria. Tão amada e aclamada, teve todas as honrarias da marinha na sua morte (1992) e inclusive, foi homenageada com um navio, o USS Hopper. O lema do navio não podia ser mais parecido com ela: AUDE ET EFFICE — OUSE E FAÇA.

Mary Keller

Irmã Mary Kenneth Keller, uma das desenvolvedoras da linguagem BASIC. Com uma data incerta de nascimento, estima-se que Mary nasceu em Ohio, em 1913. Pouco se conhece sobre sua infância e vida antes da carreira religiosa e acadêmica. Entrou como Irmã de Caridade em 1932 e em 1940, acabou professando seus votos. A partir daí, começou no meio acadêmico, obtendo o grau de bacharelado em Ciências com ênfase em Matemática em 1943. Foi a primeira mulher a obter doutorado em Ciências da Computação. Sua tese intitulou-se “Inferência indutiva dos modelos gerados pelo computador”. O interesse de Keller pela informática surgiu pelo fato da freira acreditar que o conhecimento sobre tal campo deveria ser para todos e todas. Com isso, escreveu quatro livros sobre ciência da computação, considerando o computador instrumento para prover maior acesso a informação e educação de qualidade. Na década de 60, ao estudar no Dartmouth College, trabalhou no centro de ciências de computação, mesmo que o instituto ainda fosse reservado ao público masculino e lá, pôde ajudar no desenvolvimento da linguagem BASIC (criada em 1964), lutando assim pela inclusão feminina na área. A importância dessa linguagem foi crucial para que hoje cada um de nós possa criar seu próprio programa de computador.

Jean Sammet

Jean E. Sammet foi uma cientista da computação americana. Nascida em Nova York em 23 de março de 1928, filha de advogados, Sammet graduou-se como bacharel em Matemática em Mount Holyoke College no ano de 1948 e fez mestrado em matemática pela Universidade de Illinois (1949). Durante sua pós-graduação foi quando encontrou um computador, mas diz não ter sido impressionada. Mas ao realizar cálculos de programação em cartões perfurados no computador, acabou adorando tudo aquilo. Chegou a trabalhar na Sperry Gyroscope, Sperry Rand e Sylvania Electric. Conta-se que Sammet conseguiu o emprego procurando nos classificados masculinos, os quais ainda eram separados das mulheres. Entrou na IBM em 1961, onde fez em três décadas uma carreira extremamente exitosa. Foi a responsável pela idealização e desenvolvimento da linguagem FORMAC, que permite cálculo direto, manipulação e uso de funções avançadas da matemática. Além disso, por meio desse trabalho, ajudou a fixar o inglês como língua padrão no âmbito da programação de computadores. Além de tudo isso, atuou na equipe de Grace Hopper, modelando a linguagem de programação COBOL. Jean ainda foi a segunda mulher a obter um doutorado em computação no ano de 1968, três anos depois de Mary Keller. Também foi a primeira mulher presidente da ACM (Association for Computing Machinery), uma das principais associações profissionais em informática, ingressando no cargo em 1974. Veio a falecer em maio de 2017, com seus 89 anos, após meio século de contribuições inestimáveis a computação e sua evolução.

Margaret Hamilton

Margaret Heafield Hamilton nasceu em 17 de agosto de 1936, em Indiana, Estados Unidos. Após fazer a graduação em matemática, juntamente de seu marido mudou-se para Boston. Lá, conseguiu um emprego para programação de computadores no MIT, que estava em parceria com a NASA para o desenvolvimento de um sistema de orientação e navegação espacial. No total, havia uma equipe formada por mais de 400000 pessoas trabalhando em prol do sucesso da missão, e Margaret Hamilton era uma delas, diretora da Divisão de Engenharia de Software do Laboratório de Instrumentação do MIT. Ao programar o sistema, Margaret prezava por testes rigorosos que assegurassem confiabilidade e êxito, e assim fez com que a humanidade pudesse ir à lua. Com um código tão robusto, Margaret estava preparada para qualquer desafio. O sistema criado suportou a sobrecarga e realizou a priorização de tarefas, garantindo segurança ao pouso do módulo na superfície da lua. Fantástica, Margaret Hamilton não parou. Em 1986, criou sua própria empresa -Hamilton Technologies (HTI), que fornece soluções de software para diversos setores da indústria. Acabou publicando mais de 130 artigos, atas e relatórios relacionados aos projetos e programas de importância com os quais trabalhou. Todas as técnicas e ideias de Margaret se tornaram um marco para os softwares de computador, dando o real e inegável valor para tal, além de destaque a engenharia de software e a profissão. Inclusive, foi a pessoa responsável por cunhar o termo “engenharia de software”. É praticamente inenarrável todos os feitos dessa mulher, que há quase 50 anos levou-nos ao espaço e hoje, ainda viva, com seus 83 anos, contribuindo a cada dia.

Carol Shaw

Carol Shaw, a primeira desenvolvedora de games da história. Filha de pai engenheiro mecânico, nasceu no ano de 1955, em Palo Alto - Califórnia. Esse foi o cenário onde cresceu e coincidentemente, onde está localizado o Vale do Silício. Talvez por essa influência implícita, sempre gostou de coisas “fora do padrão”. Quando criança não era fã de bonecas, mas adorava os modelos de ferrovia dos irmãos. No colégio, sempre foi excepcional em matemática e nessa disciplina que pôde ter contato com os computadores, conhecendo jogos como Star Trek e foi assim que ela começou a se apaixonar por programação e games. Chegou a começar Engenharia Civil, mas por fim optou por Engenharia Elétrica e Ciência da Computação na Universidade de Berkeley. Quando estava ainda projetando seu trabalho de conclusão do mestrado, Carol foi entrevistada pela Atari e aceitou o emprego, que depois ficou conhecido como game designer. Ela era responsável por tudo, desde design, programação, gráficos até sons em jogos. Na época, só havia mais uma mulher que trabalhava na Atari, mas na parte de escrita técnica, porém ela não se intimidava. Inicialmente, Shaw não havia pensado de modo algum que era a primeira mulher no game design, sendo uma das primeiras realmente documentadas e reconhecidas nos dias de hoje. Trabalhou na Tandem e depois na Activision, com um dos jogos mais memoráveis: River Raid! Inclusive chegou a ganhar vários prêmios, o mais recente ocorreu no dia 7 de dezembro de 2017, o "The Game Awards", que em Carol aos seus 62 anos, levou o prêmio de Ícone da Indústria, prestigiando o talento feminino nos games.

Frances Allen

Frances Elizabeth Allen nasceu no dia 4 de agosto de 1932. “Fran” era a mais velha de seis crianças. Filha de pai fazendeiro e mãe professora, foi criada em uma fazenda no Peru, Nova York. Nessa, não havia encanamento, aquecimento ou mesmo, eletricidade, mas seus pais sempre frisaram a importância da educação. Quando estava no ensino médio, era apaixonada por aulas de matemática e acabou se inspirando em seu professor, decidindo seguir esse caminho. Mas ela mal podia esperar pelas mudanças do destino. Assim, frequentou o New York State College for Teachers (agora chamado de Universidade Estadual de Nova York em Albany), formando-se em Bacharelado em Matemática em 1954, com créditos educacionais. A partir daí, pôde ensinar matemática, inclusive fazendo-a na mesma escola que estudou quando jovem. Percebendo que para continuar como docente precisaria de mais, buscou o mestrado na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, terminando-o em 1957. Além disso, também acabou realizando alguns cursos complementares paralelamente, como de informática, sendo um dos primeiros ofertados para ensino de programação do IBM 650. Nesse momento, a grande IBM realizava entrevistas de emprego no campus da universidade de seu mestrado e ofereceu-lhe um emprego na pesquisa, o qual Frances aceitou. Seu objetivo era trabalhar em prol de sanar suas dívidas estudantis e assim, poder retornar para a educação e o ensino. Bem, acreditamos que seus planos foram substituídos pelo amor pela tecnologia, pois permaneceu na IBM pelos seus futuros 45 anos. Lá, trabalhou com a linguagem FORTRAN e passou boa parte de sua carreira desenvolvendo compiladores de linguagem de programação para a IBM Research, além de projetos como o Parallel Translator (PTRAN) relacionado à computação paralela. Com uma carreira de sucesso, se tornou IBM Fellow em 1989, IEEE Fellow em 1991 e ACM Fellow em 1994. Em 2002, aposentou-se da IBM como IBM Fellow Emérita, ainda assessorando a IBM em vários projetos, como o Blue Gene, além de encorajar o envolvimento de outras mulheres em computação.

Karen Jones

Jones moldou a forma como conhecemos a Internet hoje. Seus ideais refletiram até mesmo na gigante Google. Jones era ELA: Karen Spärck Jones. Em 1972, Karen publicou seu artigo “Uma interpretação estatística da especificidade do termo e sua aplicação na recuperação”. Lá, explanou sobre o ideal de frequência inversa, uma parte essencial aos algoritmos de classificação para recuperação automática do texto de um índice de documentos. Muitos viram o conceito, e apesar de em 1972 ser, por enquanto, apenas uma teoria estatística, a inversão de frequência de documentos se tornou a base para mecanismos de busca diversos, como o Google (por exemplo), sendo usada no AltaVista inicialmente. Karen Ida Boalth Spärck Jones nasceu em 1935, em Huddersfield, Yorkshire, na Inglaterra. Com pai inglês e mãe norueguesa, saíram da Noruega quando ela era criança, após invasões decorrentes da 2ª Guerra Mundial, em 1940. Formou-se em Filosofia (Ciências Morais) em 1956. Mais tarde, terminou um doutorado, publicado como Sinonímia e Classificação Semântica, que mostrou seu uso de técnicas estatísticas e simbólicas no processamento de linguagem natural (PNL). Karen Jones criou um sistema de recuperação de informações, valendo-se de mineração de dados veloz em um conjunto de documentos e mesmo assim, nunca disse ser uma profissional de TI, mas sim, considerava-se como uma pesquisadora, trabalhando em áreas até mesmo como Inteligência Artificial. Graças a tudo isso, foi condecorada com vários prêmios importantes, como o ACL Lifetime Achievement Award (2004), relacionado a linguística computacional e a Medalha Lovelace, da British Computer Society (2007). Ela até mesmo possui um prêmio com seu nome, em homenagem as suas brilhantes contribuições.

Sophie Wilson

Ela, uma mulher muito importante na história da tecnologia, inclusive atualmente: Sophie Wilson. Nascida em 1957 como Roger Wilson, em Leeds, Yorkshire, Inglaterra, é uma cientista da computação britânica que projetou o conjunto de instruções para um dos primeiros microprocessadores RISC, o Acorn RISC Machine (ARM). Com pais professores (mãe em física, pai em língua inglesa), a partir de 1975 estudou na Universidade de Cambridge, formando-se em Ciências da Computação e Matemática. Ao continuar trabalhando nas máquinas BBC, percebeu que o chip microprocessador era extremamente lento e junto de vários fatores, tudo acarretou em um dos maiores inventos usados no século XXI, o processador ARM - usado por cerca de 95% de todos os smartphones construídos. Sophie é uma mulher transgênero. Sem dúvidas, preconceito e discriminação a acompanharam, mas isso não impediu que a arquitetura criada por ela se tornasse amplamente usada. Antes de 2014, estima-se que mais de 50 bilhões de processadores ARM foram produzidos, sendo 10 bilhões só em 2013. Se a cada ano o aumento se manter o mesmo, estamos realmente perto dos 100 bilhões. Ela agora trabalha como arquiteta chefe da Broadcom, em Cambridge. Sophie faz parte de nós todos os dias, e traz orgulho e gratidão lembrar de sua trajetória a cada toque em nossos celulares.

Roberta Williams

Nascida em 16 de fevereiro de 1953, foi criada em La Verne (sul da Califórnia). Quando criança gostava de inventar e contar histórias a seu irmão na hora de dormir. Talvez seja por isso que acabou tornando-se uma das designers de jogos de computador mais influentes do mundo. Roberta, durante o ensino médio, conheceu seu marido, Ken Williams. Ken era programador. O casal morava em Los Angeles e Roberta era ainda uma dona de casa com dois filhos. Seu marido ao trabalhar em um mainframe da IBM encontrou um jogo (Colossal Caves), considerado o primeiro jogo de aventura já criado. Como sabia que Roberta amava histórias, decidiu que ela gostaria do jogo. Mesmo que Roberta Williams não fosse interessada em computadores, adorou-o. Ela não conseguiu parar e simplesmente, comprou todos os jogos de aventura de uma loja de informática. Assim, Roberta mirou um objetivo: criar seu próprio jogo de aventura, se sentou na cozinha e escreveu durante três semanas. Já tinha tudo planejado para o Mistery House (nome pelo qual ela o chamou), um jogo de assassinato em uma casa antiga. Teria gráficos, sem dúvidas, para que o jogador pudesse ver tudo. Mistery House foi criado em nada menos que o Apple II, em um mês. Roberta fez os gráficos, o roteiro e garantiu a qualidade de tudo. Assim, distribuíram cópias do jogo nas lojas da cidade, sob a empresa On-Line Systems, que futuramente tornou-se Sierra On-Line. Criadora de jogos famosos, como a saga King's Quest, atuou por 18 anos ininterruptos. A rainha dos jogos de aventura foi uma das maiores influenciadoras da indústria dos games. Além de criar alguns dos jogos mais populares do mundo, Williams foi pioneira na criação de personagens principais femininos. A partir do momento em que sentou-se em sua cozinha e deu forma às suas ideias, novas abordagens foram estabelecidas. Sem ela Sierra nunca teria existido, muito menos a indústria dos jogos teria se moldado de tal maneira.

Radia Perlman

Radia Joy Perlman: Nascida em Portsmouth, Virgínia, nos Estados Unidos, em 18 de dezembro de 1951. Filha de engenheiros, quando pequena gostava de quebra-cabeças e de disciplinas como ciência e matemática, bem como de música clássica, tocando piano e chifre francês. Amava escrever e no futuro, frequentou o MIT, formando-se com um diploma SB em 1973 e um SM em 1976, ambos em matemática. Durante o curso superior, em 1971, teve a oportunidade de atuar no LOGO Lab., responsável pela criação de linguagens de programação educacionais, em um emprego de meio período. Inclusive, foi na graduação que Radia aprendeu a programar. Em 1980 entrou para a DEC e criou o STP - Spanning Tree Protocol, permite que uma rede entregue dados de forma confiável, lidando com centenas de milhares de nós espalhados. Não deixando seu lado artístico, para explicar o funcionamento do algoritmo STP, Radia Perlman criou um poema bem interessante. Radia hoje é engenheira de redes e designer de software, além de muitas vezes chamada de "mãe da internet" (apesar de não gostar do termo).

Juliana Rotich

Juliana Rotich nasceu no ano de 1977, em Eldoret, oeste do Quênia. Gerente de TI e consultora de tecnologia da informação, formou-se em Ciência da Computação pela Universidade do Missouri, no Kansas. Empreendedora social, criou soluções capazes de empoderar por meio da tecnologia, como a plataforma Ushahidi, projeto de código aberto para monitoramento de crises políticas, econômicas ou ecológicas, tudo isso com base em dados de segmentação geográfica, telefonia ou mesmo, relatórios disponíveis na Internet. A mesma é reconhecida internacionalmente e já foi usada por vários países, como para denunciar crimes durante as eleições dos Estados Unidos ou para documentar a guerra da Síria. Sempre pensando em suas origens, fundou a BRCK Inc., organização responsável por sistemas de hardware, software e comunicação, atuando como a maior fornecedora de Wi-Fi na África Subsaariana. Juliana trabalha em prol do desenvolvimento de inovações tecnológicas e assim, busca contribuir para a resolução de problemas sociais de seu continente. Ela também atua como consultora do MIT Media Lab em Cambridge (Massachusetts) e é uma das jovens líderes globais no Fórum Econômico Mundial, além de já ter atuado em inúmeros projetos da área de computação. Foi escolhida pela Fortune entre os 50 líderes globais mais importantes no ano de 2014. Como resultado de seu trabalho initerrupto, em 2019 recebeu o Prêmio África e é considerada como uma das principais responsáveis pelo pioneirismo e visibilidade de seu país em tecnologia.

Camila Achutti

Camila Fernandez Achutti é uma cientista da computação brasileira, nascida no ano de 1991. Com pai programador, quando criança sempre o escutava ditando códigos da linguagem COBOL por telefone. Influenciada tecnologicamente, Camila ingressou no curso de Ciência da Computação na Universidade de São Paulo (USP) no ano de 2010. E foi durante a faculdade que criou o blog "Mulheres na Computação". Após seu estágio no Google, retornou para o Brasil disposta a fazer o que ama - demonstrar o poder de transformação da tecnologia e empreendedorismo. Atualmente, é CEO da Mastertech e acredita na importância de ensinar tecnologia para as pessoas. Também foi eleita pela revista Forbes como uma das 30 pessoas com menos de 30 anos mais influentes do planeta. Camila é considerada mundialmente como uma das maiores líderes quanto à igualdade de gênero na tecnologia.